sexta-feira, 1 de maio de 2009

Técnicas e contribuições de um psicólogo para o Aconselhamento Pastoral de adolescentes



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Escrito por MARCELO QUIRINO
22-Apr-2009

Entre alguns adultos há uma visão preconceituosa sobre a fase da adolescência, considerada por muitos como a fase da rebeldia. Por outro lado, há também uma visão preconceituosa do adolescente com relação aos adultos, vistos como aqueles que estão na fase da tirania.

Uma visão preconceituosa é o resultado da outra. É o que se pode chamar de conflitos de gerações. Na verdade não passa de um conflito de comunicações, mas não se resume somente a isto apesar de começar por aqui.

Essa visão preconceituosa de ambos os grupos - adolescentes e adultos - é o que não permite uma aproximação saudável e empática entre indivíduos que estão nestas duas fases da vida. Por vezes se faz uma aproximação desgastante e nada eficiente.

Se o aconselhador de adolescentes quiser proporcionar um Aconselhamento Pastoral (AP) eficiente deve, em primeiro lugar, despir-se dos seus preconceitos sobre este grupo para depois permitir-se compreender esse mundo de conflitos entre uma personalidade em formação.


Reações emocionais na adolescência

Muitas vezes o adolescente reage à incompreensão de sua vida psicológica e à falta de uma comunicação empática que verse sobre seu desenvolvimento e necessidade de independência.

O adolescente reage ao cerceamento da sua individualidade. A individualidade está relacionada à inserção grupal, à identidade e à sexualidade. O adolescente requer autonomia para estar em um grupo que o aceite, requer uma identidade reforçada por esse grupo e ainda busca a descoberta de sua sexualidade como forma de contribuir com sua identidade.

Buscar essa inserção num grupo social e buscar autonomia para que esta inserção aconteça e haja uma aceitação grupal não é nada demais.

O problema começa quando essa aceitação num grupo social é resultado de uma incompreensão no seio da família ou quando essa necessidade de aceitação grupal se alia à construção de sua auto-estima ou de sua identidade.

Como o adolescente está em processo de formação de identidade e de individualidade há uma alta sugestionabilidade para grupos de comportamentos desviantes como reação à tirania do autoritarismo dos pais que não o compreendem de forma plena.


Objetivos do aconselhamento com adolescentes

Portanto, uma função do aconselhamento é proporcionar ao adolescente uma visão introspectiva sobre si mesmo. Possibilitar que o adolescente se esclareça dos fatores de sua psique que fornecem estrutura à sua personalidade.

O aconselhador deve permitir ao adolescente uma conversa sobre si mesmo e consigo mesmo. Uma conversa sobre seus sentimentos, seus pensamentos e seus grupos prediletos. Além de tratar de sua relação com a autoridade parental e as razões de suas reações indisciplinadas.

Como a necessidade de aceitação está nesse momento ligada à auto-estima, não ser aceito pelo grupo é sinônimo de queda na auto-estima ou de depressão. Por isso a relação de aconselhamento deve tentar desvencilhar a necessidade de aceitação grupal da auto-estima do adolescente.

Alguns comportamentos de desafio de autoridade podem estar dirigidos à aceitação num grupo específico como uma forma de reação à sua busca pela individualidade que está cerceada na relação com o responsável.

Portanto, o papel do aconselhador é o de proporcionar a aceitação do adolescente no seio da família, pois é isto o que ele busca por vezes.

Caso o adolescente não seja aceito dentro de casa, busca aceitação num grupo como forma de reagir à autoridade constituída. Esta aceitação diz respeito ao amor prático e genuíno que Jesus pregava.

Muitas vezes a atitude de desfiador e de rebeldia é resultado de uma reação quanto à inabilidade dos pais de o aceitarem como um ser em desenvolvimento rumo à individualidade.

Os pais o cerceiam por demais e uma reação explosiva do adolescente é o resultado de um pedido de socorro que visa buscar o seu auto-desenvolvimento psicológico.

O aconselhador deve trabalhar com os familiares para ajustar a assessoria dos pais em direção à busca da individualidade em formação.

O objetivo do aconselhador é equilibrar para que não haja autoritarismo demais e nem libertinagem em excesso no processo de educação. Este é um dos desafios do aconselhador para essa fase da vida do ser humano que é a adolescência.

O aconselhador deve proporcionar um desenvolvimento saudável da individualidade do adolescente. Para isso busca o desempenho de um papel de facilitador e de assessor amigável, que se utiliza de princípios e de diretrizes bíblicas como parâmetros para o desenvolvimento dessa individualidade em formação.


O aconselhador e a comunicação em família

Algumas famílias são aparentemente equilibradas psicologicamente, mas os adolescentes buscam caminhos de desafio às autoridades. Nesse caso específico um mecanismo de comunicação e de conscientização do processo de desenvolvimento psicológico do adolescente pode estar em falha.

Ter uma família equilibrada não é sinal de adolescente equilibrado e formado nos caminhos do Senhor. Muitos pais não erram na educação dos filhos, mas apenas não a apresentam de forma justa e presente com qualidade especifica na comunicação.

O adolescente precisa aprender a voltar os olhos sobre si e seus sentimentos para que saiba lidar com impulsos e com necessidades de aventuras desmedidas que desconsiderem as limitações dos responsáveis. O aprendizado da introspecção (auto-análise) precisa vir da família.

Neste caso, o papel do aconselhador é oferecer à família um canal de comunicação que verse especificamente sobre a psicologia daquele adolescente em formação, que verse sobre seus sentimentos, suas emoções e seus comportamentos.

Não ser entendido e compreendido pode ser um sinal de rebeldia futura. A adolescência é uma fase na qual a necessidade de comunicar-se sobre si mesmo é alta, visto que é um processo de desenvolvimento psicológico muito grande.

Elementos do infante e da vida adulta se misturam, portanto, um olhar sobre si e sobre a própria psique necessita estar presente para um desenvolvimento mais saudável. Por isso essa comunicação deve versar entre o adolescente e a família e entre o adolescente e ele mesmo através da introspecção.


O aconselhador e a sexualidade na adolescência

Há a descoberta da sexualidade nessa fase, e a conversa sobre o próprio desejo é fundamental. Pais devem educar os filhos desde crianças para que se tornem adolescentes com mais conhecimento sobre a sua própria sexualidade.

Conversar sobre sexualidade não é somente oferecer informações, mas sim pôr o adolescente em contato com o seu desejo e com a forma com que se relaciona consigo e com os outros do sexo oposto.

Em alguns momentos, a necessidade de encontrar um namoro está inserida na ausência de vínculos afetivos no seio familiar. Nestes casos específicos, a saída está na busca de uma relação amorosa para a construção de laços afetivos compensadores da ausência familiar.

É importante que o aconselhador busque orientar a família do adolescente quanto à educação sexual de seus filhos. A função desta tarefa não é apenas de informação, mas também de confrontação.

Isto possibilitaria ao adolescente pôr sob a fala alguma necessidade não satisfeita que é buscada inadequadamente numa relação amorosa.


Os vínculos entre aconselhador e adolescente

A natureza do laço social entre aconselhador e adolescente deve ser de amizade, de confiança e aceitação total de pensamentos, mas não de comportamentos - o que significa uma correção com amor e uma limitação com compreensão.

O entendimento da própria fase de vida é essencial. Para isso a técnica de espelhamento da fala, dos sentimentos e das emoções se torna útil. Adolescentes podem ser incompreendidos, visto que estão entre a responsabilidade da vida adulta e a saída da infância.

A rebeldia pode ser um sinal de busca pela autonomia. Deve-se lidar com isso através de conversa empática, mostrando que seu mundo é entendido e compreendido de forma total e eficaz.

Muitos conselheiros cristãos falham com o aconselhamento desta fase, pois não fazem o primeiro passo de forma eficaz: demonstrar que os conflitos e questões psicológicas do adolescente são totalmente compreendidos e aceitos.

Um mito é que o adolescente não permite que se discorde dele, sendo rebelde e indomável. Esta não é uma característica que pertence somente a ele, mas pode ser resultado de uma relação interpessoal ineficaz, na qual a empatia do adulto não está presente.

Perceber que o aconselhador está sendo empático é muito terapêutico para alguns adolescentes. Perceber que o adulto compreende, que entende totalmente a problemática apresentada por ele já pode ser uma boa garantia de que o comportamento desviante será corrigido.


O aconselhador e o comportamento rebelde

A empatia do aconselhador deve preceder a autoridade. Autoridade e empatia caminham juntas, mas em alguns casos se percebe o autoritarismo e a antipatia na família, o que pode gerar estados de rebeldia no adolescente. Muitas vezes esse comportamento rebelde é sinal de incompreensão somente.

Portanto, em alguns casos, se o adulto mostra-se na relação como um amigo empático, essa rebeldia talvez se dissipe. Por vezes esse estado de rebeldia se extingue quando o adulto se mostra empático e neutro, sem críticas, mas com uma autoridade amiga e justa que conversa sobre o importante.

Não é a discordância do aconselhador em relação às atitudes do adolescente que vai proporcionar o estado de rebeldia, mas, antes sim, a incompreensão de seu estado psicológico atual, não deixando claro que o entende de forma plena.

A necessidade de ser entendido e aceito é muito maior do que a necessidade de auto-estima por um grupo de fora da família. Portanto, alguns adolescentes vão buscar fora o que não possuem na família: a aceitação.

Isto pode ser o resultado da inabilidade de a família proporcionar ao adolescente um olhar sobre si mesmo e sobre seus sentimentos, ou seja, não saber conduzir o adolescente para uma análise desse seu período de vida.

Vale deixar claro que compreensão e empatia não são sinais de libertinagem e liberalidade quanto à educação dos adolescentes, mas, antes, sinal de amor e de aceitação. Isto é tudo o que é necessário para esta fase da vida.

Como há uma personalidade em formação os elementos da infância coexistem com os elementos da vida adulta. Responsabilidade e entretenimento coexistem. O aconselhador deve esclarecê-los deste momento, apresentando-os não como características conflitantes, mas sim em desequilíbrio.

Em alguns casos o AP com adolescentes visa suprir o que faltou na família, em outros momentos municiar a família e em alguns casos fazer o papel que a família não pode alcançar por ter a situação de rebeldia saído do controle.


O aconselhador e os adolescentes com transtornos específicos

Adolescentes vítimas de violências necessitam de um suporte emocional para elaborarem o trauma e para, junto com os responsáveis, darem o sentido correto dessa experiência invasiva que é o ato violento.

Não permitir que o adolescente forme pensamentos de generalização - tal como todos os adultos são violentos - é o objetivo de um AP com adolescentes vítimas de violências.

A assessoria emocional e psíquica de um adulto se torna necessária nesses casos. A evolução rumo à inserção social normal será lenta e gradativa e a simples presença de um adulto pode proporcionar o suporte de que precisa o adolescente.

Já adolescentes portadores de transtornos mentais específicos carecem tanto, quanto um adulto, de inserção social que vise o desenvolvimento de tarefas que proporcionem desenvolvimento da auto-estima e do sentido de pertença a num grupo específico.

Numa situação de adolescentes portadores de transtornos mentais específicos, a tarefa de um AP é a de assessorar a inserção grupal e o relacionamento entre eles de forma saudável.


Os desafios para o aconselhador de adolescentes

Por fim, se percebe que essa é uma fase de vida que é marcada por preconceitos mútuos de adolescentes e de adultos. Uma fase da vida incompreendida e não-aceita tal como é. Uma fase da vida na qual se pressiona para ser aquilo que ainda não se é e a se deixar de ser aquilo que não se abandonou por completo, a fase adulta e a fase infantil, respectivamente.

Aconselhar a adolescência é permitir-se parecer um pouco com eles, é permitir-se voltar no tempo e questionar-se sobre os conflitos específicos dessa fase e se despir dos preconceitos que cerceiam o entendimento integral dessa fase específica da vida humana.

Aconselhar adolescente é assessorar o seio familiar no processo de educação do adolescente e possibilitar que se estabeleça um olhar crítico sobre as mútuas formas de comunicação, que se crie entendimento genuíno e a aceitação do processo de mudança.

Portanto, são esses os três fatores que ficam sempre comprometidos na família quando há a presença de um adolescente: a comunicação familiar, o entendimento mútuo entre pais e filhos e a aceitação da autonomia do adolescente.

Restaurar isto é o objetivo principal de um aconselhador de adolescentes, o que se faz quando o aconselhador possibilita ao adolescente expressar seus medos, receios das mudanças pela qual está passando no momento.

O aconselhador deve permitir que o adolescente, a partir da análise das relações sociais que estabelece e a partir da análise sobre os próprios sentimentos e pensamentos, se perceba enquanto um ser em desenvolvimento de identidade.

Esta comunicação saudável deve permitir o esclarecimento dos contratos familiares, o entendimento deve proporcionar um contato mais próximo entre a vida afetiva de pais e filhos e a aceitação visa estreitar os laços familiares e dirimir o medo que os pais possuem de perder uma criança que agora se torna um adulto autônomo e portador das próprias escolhas.

MARCELO QUIRINO

Psicólogo e membro da PIB do Guarani, em São João de Meriti (RJ)

quirino@ufrj.br

Site do Autor: www.marceloquirino.com


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

Uma voz que se ouve até hoje



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Escrito por daniel
22-Apr-2009

“Então ouvi a voz do Senhor.” - Isaías 6.8a

Nossa caminhada com Cristo é marcada por experiências. Começamos com a melhor e maior experiência que um ser humano pode ter: o encontro da salvação, quando o arrependido confessa com lábios e atitudes que tem a Jesus como Senhor e Salvador suficiente.

O profeta Isaías teve a sua experiência. O testemunho bíblico o apresenta ouvindo a voz de Deus, sendo conclamado para uma missão. Com a resposta positiva, a voz prossegue com a ordem do envio.

Entre Isaías e nós há um fato essencial: a divisão da história, com a presença de Cristo entre a humanidade. “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1.14). Agora, a comunicação entre Deus, o Pai, e a sua criação ganhou uma nova mediação, pois “há muito tempo Deus falou muitas vezes de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo” (Hebreus 1.1-2).

Isso quer dizer que a voz do Pai é ouvida até hoje, através do Filho. Jesus é a comunicação de Deus.

No episódio conhecido como a Transfiguração (Mateus 17.1-13) Pedro se pronuncia satisfeito pela presença de Jesus, Moisés e Elias (verso 4). A voz mais uma vez foi ouvida, agora para exaltar acima de tudo e de todos a voz de Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (verso 5).

A voz que a Igreja ouve é a voz de Jesus. A voz que move a Igreja às ações missionárias é a voz de Jesus. E o que Jesus fala para a sua Igreja em relação à obra missionária? Ouçamos pelo menos duas das suas orientações:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Aprendemos com a voz que se ouve até hoje que a missão é abrangente. Todos devem ser alcançados pelo discipulado cristão.

“Peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita. Vão! Eu os estou enviando (...). O trabalhador merece o seu salário” (Lucas 10.2-3 e 7). Aprendemos com a voz que se ouve até hoje que é nosso dever interceder, ir (ser sustentado) e sustentar.

A voz que se ouve até hoje tem falado muito mais. Temos ouvido? Uma campanha missionária, por exemplo, é uma oportunidade para respondê-la.

Como Igreja, temos nos dedicado à intercessão, ao envio e ao sustento?

Assim como Isaías, ouçamos e respondamos positivamente à voz que se ouve até hoje.

ELILDES JUNIO MACHARETE FONSECA

Pastor auxiliar da PIB de Alcântara e vice-presidente da CBF

ejmfonseca@ig.com.br


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E caso se convertessem também?



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Escrito por IOMAEL SANT'ANNA
23-Apr-2009

Além de participação ativa no suplemento de informática de um jornal de grande circulação do Rio de Janeiro, a jornalista Cora Rónai escreve também interessantes crônicas semanais. Nelas ela sempre aborda temas e assuntos do cotidiano de forma leve e com humor irônico. Num de seus agradáveis textos, a jornalista escreve a respeito de um sítio adquirido há muito tempo por seus pais, amantes da boa arte. Eles espalharam pela propriedade tabuletas com pinturas feitas pela mãe e poemas de autores diversos. “Passear pelo sítio era como entrar numa antologia sentimental”, lembra Cora.

Um poema de Cecília Meireles, elevada expressão da poesia brasileira e também grande amiga da família, destacava-se no acervo cultural do sítio. Com o tempo, os quadros desapareceram pouco a pouco, queimados com as árvores, corroídos pelo tempo e vários sem deixar qualquer vestígio.

Passaram-se mais de 30 anos e, há pouco, um pacote foi entregue no portão do sítio. Receosa dos possíveis efeitos de algum artefato explosivo, a família demorou a abrir o embrulho. E quando o fez agiu com muito cuidado, seguindo estritas regras de segurança.

Para surpresa de todos, no pacote estava o quadro do poema de Cecília Meireles sumido havia três décadas. Acompanhava-o esta mensagem: “Quando menino, filho de um empregado do sítio, achava este quadro lindo por causa do poema. Peço perdão por tê-lo roubado. Hoje, me converti a Jesus e sinto necessidade de devolvê-lo. Sinto-me envergonhado por minha atitude. Peço perdão a Deus e a vocês.”

A reflexão sobre o ato do desconhecido recorda-nos a declaração bíblica: “Se alguém está em Cristo é nova criação. As coisas antigas já passaram. Surgiram coisas novas. ” Jesus Cristo transforma de fato quem nele crê e conduz o indivíduo crente ao rompimento com os erros do passado.

Talvez alguém pense: O convertido poderia comparecer em pessoa ante a família de Cora e dar seu testemunho. Por que ele não o fez? Não interessa a este escrevinhador julgá-lo, mas registrar sua atitude, semelhante a de muitos outros salvos pela graça de Deus e pela fé em Jesus.

Vale a observação: Imaginem caso se convertessem os inúmeros corruptos e fraudadores da economia brasileira, encastelados nos altos cargos públicos, e os muitos manipuladores de recursos da iniciativa privada. E se viesse a Jesus quem em escalão inferior também explora os outros e se apropria ilegitimamente do dinheiro alheio? Não sobrariam recursos imensos para a solução dos infinitos problemas sociais, econômicos e financeiros de todo o povo brasileiro?

IOMAEL SANT'ANNA

Pastor da PIB de Mesquita (RJ)

pr.iomael@globo.com


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Agindo dentro dos limites



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Escrito por EDVAR GIMENES DE OLIVEIRA
23-Apr-2009

Um detalhe curioso, porém importante, passa despercebido na leitura que fazemos da narrativa bíblica sobre José do Egito. Trata-se da palavra que ele diz à mulher de Potifar e da que Faraó diz a ele, por ocasião de sua posse no governo egípcio. Ei-las:

“Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele“ (José à esposa de Potifar em Gênesis 39.9).

“Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você” (Faraó a José em Gênesis 41.40).

Não acredito que Potifar, ao dar instruções e autoridade a José, precisou dizer que sua mulher não fazia parte do pacote. Prefiro crer que José não cedeu ao assédio da mulher por ser pessoa íntegra, por ter consciência dos seus limites e ser disciplinado o suficiente para não ir além do que deveria.

Certamente José não tinha consciência, mas tal postura retratava uma qualidade essencial em líderes: reconhecer os próprios limites e saber respeitá-los. Somente pessoas com espírito ditatorial acreditam que podem tudo. Daí a dificuldade em participar de grupos nos quais os poderes são distribuídos e limites estabelecidos.

Penso que não foi difícil para José entender o recado de Faraó quando disse: “Somente em relação ao trono serei maior que você”. Ele sabia o que era ter limites e agir dentro deles. Sendo igual a milhões de humanos, sabia que nem sempre teria a última palavra. Sabia que seu limite terminaria quando começasse o de Faraó, da mesma forma que demonstrou saber seus limites por ocasião do assédio sexual em relação aos de Potifar. Nesse quesito, portanto, estava preparado para liderar.

Não podemos tudo, nem somos responsáveis por tudo. Caso quem trabalha conosco não esteja cumprindo bem suas atribuições podemos ajudar se percebermos abertura para tal, mas jamais querer gerenciar aquilo que não é da nossa competência política, ainda que nos sintamos tecnicamente competentes para fazê-lo.

Quando não nos é explicitado o que nos cabe fazer, usar o juízo faz bem. Quando sabemos quais são nossas atribuições, agir prudentemente dentro dos limites delas é melhor ainda.


EDVAR GIMENES DE OLIVEIRA

Pastor da IB da Graça, em Salvador (BA)

http://www.blogdoedvar.blogspot.com/


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O significado da Páscoa - para os judeus e para nós, os cristãos



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Escrito por NILSON DAMARZIO
16-Apr-2009

Para muitas pessoas a Páscoa é ocasião para maiores lucros pecuniários. Já para outras é mais um feriado prolongado para o lazer e passatempo, enquanto para as crianças é a oportunidade de saborear um ovo de Páscoa (quanto maior, melhor). Porém, como dizia o saudoso pastor David Gomes, Páscoa é mais do que chocolate. Há um sentido histórico e espiritual nesta festa que deve ser devidamente considerado e que veremos nas linhas a seguir.

Em primeiro lugar, vejamos o que a Páscoa significa para os judeus

O povo de Israel enfrentou as agruras da escravidão no Egito durante 430 anos. Após um longo período de sofrimento, Moisés recebeu de Deus a incumbência de liderar o povo para sua libertação. Mas, para cumprimento de tão árdua missão, ele enfrentou tenaz e persistente resistência por parte do Faraó. Fosse por não querer abrir mão do trabalho escravo ou por não crer no poder do verdadeiro Deus, por professar uma religião pagã, o fato é que o monarca egípcio se opôs reiteradas vezes à ideia de permitir que o povo israelita fosse embora. Após várias tentativas frustradas, foi necessária uma intervenção mais drástica de Deus, através de 10 pragas, para convencer o Faraó a dar a permissão pleiteada. Entretanto, mesmo assim, somente ao sobrevir a décima praga - a da morte dos primogênitos - é que a permissão foi dada por Faraó.

Na verdade, a instituição da Páscoa está ligada a esta última praga. (Vide os capítulos 11 e 12 de Êxodo). Durante sete dias os judeus somente poderiam comer pães ázimos (sem fermento). Cada família deveria sacrificar um cordeiro, sem defeito, para ser assado e comido, juntamente com ervas amargas. O sangue do cordeiro imolado deveria ser espargido nos umbrais e na verga da porta das casas para que as famílias israelitas não perdessem seus primogênitos.

Diante do ocorrido, e quando o povo israelita começava a deixar o seu território, o Faraó Ramsés II enfureceu-se e partiu com seu poderoso exército no encalço do povo de Deus para tentar destruí-lo. Entretanto, a poderosa mão de Jeová libertou gloriosamente o seu povo, permitindo sua passagem pelo Mar Vermelho a pé, fato extraordinário que marcaria para sempre a história de Israel.

Portanto, para os judeus, a Páscoa é a celebração deste grande feito histórico, significando a sua libertação da escravidão no Egito. Aliás, a palavra Páscoa, do hebraico "pessach", significa passagem, a passagem da escravidão para a libertação.

Não é sem razão, pois, que até hoje a Páscoa é celebrada pelos judeus com grandes solenidades. Meu filho trabalha em Nova York na firma B&H, considerada a maior revendedora de equipamentos eletrônicos do mundo e cujos proprietários são judeus ortodoxos. Por ocasião da Páscoa, durante sete dias a empresa fecha as portas e dá folga aos funcionários, tal a importância que concedem à essa grande celebração.

Em segundo lugar, vejamos qual o significado da Páscoa para nós, os cristãos

É notável a similitude existente entre a Páscoa judaica e a cristã, podendo-se afirmar que a Páscoa é um tipo de Cristo.

Conforme já observamos, para os judeus a Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. Para nós, Cristo é o nosso grande libertador da escravidão do pecado. Antes da maravilhosa experiência regeneradora éramos escravos do pecado. Porém, a partir de nossa conversão, mediante o arrependimento dos pecados e a fé em Jesus, fomos libertados da pior das escravidões. Eis o que Jesus declara: "Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado" (...) "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8.34 e 36).

Na Páscoa judaica as famílias deveriam sacrificar um cordeiro. Para nós, cristãos, Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). E Paulo identifica perfeitamente a Cristo como cordeiro pascal ao afirmar: "Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado por nós" (1 Coríntios 5.7). Vale dizer que o cordeiro da páscoa judaica representava Cristo, o cordeiro imolado no Calvário.

O cordeiro pascal deveria ser ser defeito (conforme Êxodo 12.5). Desta forma, simbolizava a perfeição de Jesus Cristo, aquele que jamais pecou enquanto aqui viveu e que desafiou os judeus que não aceitavam a sua messianidade ao dizer: "Quem, dentre vós, me convence de pecado?" (João 8.46). E aqueles inimigos nada puderam apontar que desabonasse a conduta do Filho de Deus, cuja perfeição moral estava acima de qualquer dúvida. Corroborando a mesma tese, assim se expressa o escritor aos Hebreus: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hebreus 4.15).

O sangue do cordeiro na verga e umbrais das portas das casas simbolizava salvação para os israelitas. Da mesma forma as pessoas que crêem no sacrifício feito por Cristo na cruz ficam livres da morte espiritual, eis que "O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado" (1 João 1.7).

Portanto, para os cristãos a Páscoa é a festa comemorativa da libertação espiritual operada por Cristo na vida de todos os que nele creem.

Certa feita o grande pregador John Wesley foi abordado por um assaltante, que, examinando a pasta do pregador e notando que só continha a Bíblia e mais alguns livros, desinteressou-se e ia se afastando. Wesley então lhe disse: “Quando você se cansar da vida que está levando lembre-se de que O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado".

Estas palavras ficaram gravadas na mente daquele assaltante ao ponto de, tempos depois, ao meditar nesta verdade bíblica, ter decidido deixar sua vida pecaminosa e aceitar Cristo como seu Salvador. Ao reencontra-se com Wesley pôde lhe dar esta grande notícia, com imensa gratidão na alma.

E o dileto leitor, já teve um encontro de fé com Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo?

NILSON DIMARZIO

Pastor da IB em Vila Mury e colaborador de OJB

pr.dimarzio@bol.com.br


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

A morte de Jesus, um mal necessário



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Escrito por AURECINO COELHO DA SILVA
16-Apr-2009

Caso a morte de Jesus fosse submetida a uma consulta popular, certamente a maioria votaria contra a crucificação. Alguns algozes talvez optassem por sugerir um simples castigo. Entretanto, esbarrariam naquela realidade: “quem fala a verdade não merece castigo”. E Jesus é a própria Verdade!

Grande parte dos entrevistados diria não, a começar pelo próprio governador Pilatos e sua mulher, que consideraram o Filho de Deus inocente. Mas se era inocente, por que condená-lo?

Onisciente, Deus sabia que somente o derramamento de sangue poderia apagar a transgressão de tanta gente no mundo inteiro.

A caminhada trôpega pela via dolorosa foi precedida de três tragédias: a traição de Judas, a negação de Pedro e o julgamento de Pilatos.

Isaías disse que “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Então, a morte do Salvador é uma realidade profética, cujo palco foi a cruz e com direito a plateia organizada.

Havia uma dívida a ser paga e o único instrumento pagador era a cruz. Com o corpo completamente enxágue e sob escárnio, zombaria e deboches, Jesus pagava a conta, remia, libertava, absolvia e cancelava os pecados dos homens. A cruz foi mesmo o palco e o instrumento escolhido para dividir épocas.

A morte propiciou três bençãos à humanidade: a reconciliação com Deus, o perdão de Deus e a salvação mesmo na hora da morte.

Caso na hora da pesquisa de opinião me questionassem: Sua salvação depende da morte de Jesus, você é contra ou a favor?

Diria eu: Caso não haja outra alternativa e se esta for a Vontade de Deus, que seja feita!

Para nós cristãos, todas as semanas são santificadas, portanto, nos valhamos desta para honrar o nome do nosso Salvador. E, em vez de lamentações, lembremo-nos de que a morte na cruz foi um mal necessário pelo bem da humanidade.

AURECINO COELHO DA SILVA

Pastor e jornalista

aurecino@yahoo.com.br


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

O verdadeiro significado da Páscoa



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Escrito por CLEVERSON PEREIRA DO VALLE
16-Apr-2009

O comércio sempre aproveita as datas festivas para ganhar dinheiro e promover suas mercadorias. Infelizmente, na época de Páscoa são passados para as crianças conceitos errados, o que faz com que elas se encantem com o que é apresentado.

Caso realizemos uma pesquisa com dez crianças perguntando o que é a Páscoa, creio que nove diriam que é ovo de chocolate e coelho.

Precisamos, como líderes em nossas igrejas, alertar os pais a respeito da importância de ensinar o significado real da Páscoa para seus filhos.

“No pensamento cristão, como também no judaico, a Páscoa, a Festa dos Pães Ázimos e a dedicação dos primogênitos têm sido tradicionalmente considerados memoriais intimamente relacionados a acontecimentos interdependentes do Êxodo histórico e sua posterior comemoração repetida’’, diz o “Novo Dicionário da Bíblia” das Edições Vida Nova.

A Páscoa foi uma festa na qual o povo de Israel comemorou a saída da escravidão egípcia.

No Novo Testamento Jesus é apresentado como nosso cordeiro pascoal, como nosso substituto na cruz. A Bíblia diz que Jesus veio para nos libertar, nos dar vida em abundância. Então, para nós cristãos a Páscoa é muito significativa.

Se o povo hebreu tinha o que comemorar, nós também temos. Se no passado eles foram escravos do Egito, nós éramos escravos do pecado.

Quando o povo hebreu se viu livre, ele festejou. Além disso, aprendemos nas Escrituras que se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres, o que ele já fez.

Hoje, todos os que depositam a fé em Jesus têm motivos para festejar e comemorar a verdadeira Páscoa, a nossa libertação.

Somos livres do pecado, libertos por Jesus, nosso cordeiro pascoal.

Ensine o verdadeiro significado da Páscoa para os seus filhos, e feliz Páscoa.

CLEVERSON PEREIRA DO VALLE

Pastor da PIB em Artur Nogueira (SP)

cleversonvalle.blogspot.com


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