segunda-feira, 16 de março de 2009

Gloriosa

Gloriosa

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Escrito por CARLOS CESAR PEFF NOVAES
18-Feb-2009

Marília Pêra está lotando o teatro Fashion Mall, no Rio de Janeiro, com a encenação da vida de Florence Jenkins, a excêntrica cantora norte-americana do século passado.

Florence Jenkins teve uma infância marcada pelo sofrimento, enfrentou graves crises conjugais, submeteu-se a um severo tratamento – no qual perdeu os cabelos – para ser curada da sífilis transmitida pelo marido, suportou várias situações de solidão e abandono, contabilizou mais perdas do que ganhos e, aos 50 anos, resolveu dedicar-se ao canto lírico para, de alguma forma, compensar através da realização musical todas as mazelas de uma desafortunada trajetória.

Teria conseguido, não fosse um pequeno detalhe: Florence não alcançava a maioria das notas entoadas. A desafinação era inevitável.

Em depoimento à imprensa carioca, a atriz Marília Pêra contou que, na preparação de Gloriosa (peça de Peter Quilter, com direção de Charles Möeller), precisou aprender a cantar muitas árias para, depois, ensaiar as partes em que iria desafinar.

Na opinião de Marília, um dos momentos mais comoventes da peça é quando Florence começa a desconfiar que desafina e se vê obrigada a encarar, de novo, o desmoronamento dos seus sonhos.

A verdadeira Florence sempre lotava as casas em que se apresentava. Chegou a ter Cole Porter e Irving Berlin no auditório. Dizia-se, entretanto, que as plateias costumavam reunir mais curiosos do que admiradores. Outros explicavam o fenômeno dando crédito ao espírito de compaixão das pessoas: afinal, tratava-se de uma sofrida e corajosa senhora tentando encontrar, já na última fase da vida, um sentido para a sua existência.

Aos 76 anos, Florence Jenkins ousou cantar no Carnegie Hall, em Nova York. A crítica, implacável, bombardeou a apresentação. Não deixou pedra sobre pedra. Um mês depois, a cantora morreu de infarto.

Fico me perguntando, às vezes, quanto tempo alguém pode viver enganado a respeito de si mesmo, com a cumplicidade omissa ou compassiva dos que estão ao seu redor? Em quantas canções desafinamos repetidamente e, iludidos com falsos elogios e aplausos aduladores, prosseguimos convencidos de que somos o máximo? Quantas avenidas e ruas atravessamos na vida, acreditando que admiram nossas roupas imaginárias, até que algum menino desavisado grite do meio da multidão que o rei está nu?

Por outro lado também me pego a indagar como os seres humanos são capazes de aturar a desafinação de notas e notas seguidas, com que resignação suportam falsos cantores entoando canções enganosas em tantos e diversificados setores da sociedade – na política, na religião, nas artes, na ciência –, e ainda que insondáveis motivos têm para, ao final, celebrar a fraude, a incompetência, o absurdo, a insensatez?

CARLOS CESAR PEFF NOVAES

Pastor da IB de Barão da Taquara, Rio de Janeiro (RJ)

carlosnovaes.blogspot.com


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

Que Estado laico é este?



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Escrito por VITOR HUGO MENDES DE SÁ
18-Feb-2009

Não sei porque alguns governantes brasileiros ainda insistem em ignorar o que estabelece um dos mais importantes artigos da Carta Magna da nação, que é a Constituição Brasileira, onde os princípios das relações entre o Estado e a Igreja estão bem definidos e claros.

O Estado Brasileiro é laico e não pode se comprometer e nem demonstrar preferência por qualquer que seja a religião ou ainda proporcionar benefícios a qualquer que seja o grupo religioso, sob pena de quebrar um dos fundamentos mais claros estabelecidos num sistema democrático como o nosso.

Nem parece que estamos no século 21, na era da informática, das grandes descobertas, da globalização e das informações em tempo real, pois alguns governantes tomam atitudes que eram tomadas nos primórdios da descoberta do Brasil, quando o que prevalecia eram as leis do império português, a importância das capitanias hereditárias e o tempo das colônias.

Isso foi nos idos de 1532, ocasião em que o rei de Portugal resolveu criar as capitanias, com o objetivo de implantar aqui no Brasil os sistemas mercantil e também religioso existentes em Portugal na ocasião. Nessa época o Brasil foi praticamente loteado em 14 capitanias hereditárias, distribuídas em 15 lotes e dominadas por 12 donatários. Entretanto, hoje a situação é bem diferente, não somente no aspecto cultural, social e econômico, mas principalmente no aspecto religioso.

O Brasil de hoje não é mais um país em que predomina uma só religião. Na verdade, esse não é mais um país puramente católico, como insistem em propagar o Vaticano, o Clero Romano e uma parte da imprensa comprometida com esses interesses (isso não acontece mais nem em Portugal. Por ocasião da Convenção Batista Brasileira, realizada em Brasília, tive o privilégio de conversar demoradamente com uma irmã portuguesa, com forte sotaque e membro de uma igreja batista, que acabara de chegar da sua terra natal e que com alegria e entusiasmo me relatava sobre o crescimento dos evangélicos nas terras lusitanas.

O cenário nacional brasileiro hoje também é outro, e mesmo que uma grande maioria se declare católica, segundo as perguntas formuladas pelo Censo promovido pelo IBGE, na prática, a realidade é outra, e o próprio Clero sabe disso, tendo se preocupado com este aspecto nas últimas décadas. Tal preocupação decorre do fato de estar provado que a grande maioria dos que se declaram católicos o são apenas em ocasiões específicas do calendário religioso romano. No restante do ano... ninguém sabe.

O novo estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, acordado pelo presidente da República Federativa do Brasil com o chefe do Estado do Vaticano, em Roma, e assinado no dia 13 de novembro último, traz sérias ameaças à estabilização do sistema do direito do cidadão brasileiro e à liberdade religiosa e não pode ser aprovado em hipótese alguma pelo Congresso Nacional, pois fere de maneira frontal os princípios estabelecidos na Constituição Federal, promulgada em 1988.

Os nossos deputados e senadores precisam tomar, com o apoio do contingente dos eleitores evangélicos, uma posição firme e segura diante de mais essa ameaça, que afronta e desrespeita o Estado de Direito, lembrando-se principalmente que, como diz a Palavra de Deus: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para a sua herança” (Salmo 33.12). Amém.

VITOR HUGO MENDES DE SÁ

Bacharel em Direito, pastor da PIB do Pará

vitorlinea@hotmail.com


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

A força do voluntariado



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Escrito por JOÃO PEDRO GONÇALVES
02-Mar-2009

Em um ano em que a ênfase da nossa denominação recai sobre o aperfeiçoamento do povo de Deus, discorrer acerca do tema voluntariado na igreja torna-se de fundamental importância.

O assunto voluntariado ganhou, nos últimos anos, status de uma das tarefas mais relevantes para o homem moderno. O homem pós-moderno descobriu que os bens materiais e até mesmo o capital social que adquiriu junto com a educação e o trabalho não lhes satisfazem plenamente. Esse homem pós-moderno descobriu que a vida é mais que um contracheque. Por isso é comum ver pessoas famosas (artistas, atletas) envolvidas em trabalhos humanitários, comunitários, associando-se a uma atividade já existente, ajudando ou criando sua própria fundação ou ONG.

No Brasil, a cada 10 pessoas, sete querem se engajar em algum trabalho voluntário. Na igreja não é diferente. É interessante, porém, que nós líderes vivemos reclamando da ausência de voluntários, da desmotivação e do pouco caso de pessoas que poderiam se engajar e não se engajam. A boa notícia é que essa lógica pode mudar. É possível, sim, termos um alto índice de pessoas engajadas no trabalho voluntário.

A necessidade de agregar grande número de voluntários é assunto bíblico. Não é moda, nem modismo, nem coisa que se poderia chamar de mundanismo. Moisés teve que aprender, desde cedo no ministério, a importância dos voluntários. Jesus, antes de começar e ao longo do seu ministério, escolheu voluntários que o ajudassem. O apóstolo Paulo tinha um bom número de voluntários trabalhando com ele. O mesmo apóstolo recomendou a Timóteo que não negligenciasse o trabalho dos voluntários.

Visto que o assunto tem tal relevância na Bíblia, considero que a presença, aumento e manutenção dos voluntários no ministério deve ser tratado no nosso contexto. Ofereço, então, à guisa de contribuição, alguns conselhos para o trabalho com voluntário.

1. Coopte as pessoas. A primeira tarefa do líder é cooptar voluntários que o ajudem no ministério. Sem muitos voluntários, seu ministério periga. Você não conta com muitos voluntários? Gostaria que tivesse mais gente ao seu redor dando um “up” no seu ministério? Então, essa tarefa é sua! Convoque os voluntários. O sogro de Moisés deixou bem claro que a tarefa de agregar, cooptar, arrebanhar mais voluntário era do líder: “Escolha, dentre o povo, os homens”. Essa tarefa é do líder.

2. Desafie as pessoas. Com exceção de algumas poucas pessoas, normalmente você não encontrará quem se ofereça para algum trabalho sem ser chamada e desafiada. Você precisa desafiar o seu povo a se engajar no trabalho voluntário. As pessoas gostam de desafios. Todos nós temos necessidades de dar uma contribuição significativa no reino de Deus e no mundo. No entanto, alguns estão acomodados. É necessário que o líder desperte as pessoas para o engajamento no voluntariado. As pessoas também estão esperando receber um desafio dos seus líderes.

3. Saiba como pedir. Peça de forma que as pessoas vejam que vale a pena se engajar. Não respondemos a apelos que não convencem. Não atendemos a apelos onde o líder fala de forma negativa acerca do ministério que será exercido pelo voluntário. Uma coisa é dizer: “Alguém quer ficar no estacionamento para receber as pessoas na hora do culto?”. Outra coisa é dizer: “Um bom sorriso, boas palavras de ânimo e de boas vindas são tão ou mais importantes para o visitante que o sermão do pastor. Você pode ser a pessoa que Deus vai usar para que o visitante volte ou goste de visitar a nossa igreja. Eu quero desafiar a você a ser essa pessoa”. Você mesmo deve querer se voluntariar a um apelo desses.

4. Dê o norte. Ao fazer o desafio, diga às pessoas o que você espera delas. Diga-lhes o que você quer e espera que elas façam. Pessoas não entram em projetos em que não acreditam. Muito menos se engajam em desafios em que não sabem onde vão chegar e o que devem fazer. Algumas vezes, por falta de norte, não temos respostas de voluntários. As pessoas estão dispostas a darem a sua vida por uma causa. Mas é verdade também que ninguém quer “pagar mico” ou passar a vida com a mancha de ter sido um fracasso ou não ter sabido fazer alguma coisa. Se não dermos o norte, o medo do fracasso inibirá o surgimento dos voluntários.

5. Treine seus voluntários. A falta de treinamento mata o voluntário e ele desiste antes do tempo. Muitos pastores fazem como Davi fez com Urias: não dão ao voluntário armas de ataque, nem de defesa. Deixa que eles lutem com suas próprias forças contra o inimigo. O treinamento, além de capacitar o voluntário, faz com que ele veja que você acredita, investe e o valoriza. Quando Jesus chamou os seus discípulos à beira-mar, deu-lhes, junto com o convite, uma promessa de treinamento: “eu vos farei pescadores de homens”.

Nós temos a tendência de achar que um bom cristão é aquele que é frequentador da EBD, por exemplo. A EBD tem o seu lugar. No entanto, devemos atentar para o ensino bíblico. Deus nos deu profetas, apóstolos, evangelistas, pastores e mestres não foi somente para o nosso aperfeiçoamento, mas para que, com o aperfeiçoamento, os santos “desempenhem o seu ministério”. O fim do ensinamento é adestrar pernas e coração, não encher a cabeça das pessoas. A Bíblia diz que o saber incha, faz mal. O amor edifica. O amor mostra nas atitudes práticas aquilo que aprendemos na teoria. Nosso ensino deveria focar mais nas habilidades, que somente nas competências. É preciso integrar o ser, o saber, o saber fazer e o relacionar-se.

6. Delegue autoridade e cobre responsabilidade. Uma pessoa envolvida em um ministério é a mais apta, a mais capacitada para saber como seu ministério funciona melhor. Aprendi esse princípio ao ler o livro: Este barco também é seu (D. Michael Abrashoff). Portanto, dê ao seu voluntário a autoridade de fazer o seu ministério funcionar da melhor forma possível. Desafie o voluntário com palavras do tipo: “Isso é seu. Faça o melhor. Faça como se tudo dependesse de você para poder funcionar”. Pessoalmente, não gosto de ir a uma lanchonete onde não posso negociar com o atendente e poder pedir um pouco mais (um ovo, uma fatia de bacon). O mesmo vale para lojas onde não posso negociar um desconto para pagamento em dinheiro. Quando o vendedor me diz que isso é só com o gerente e que esse gerente não está, suspeito logo que eles são ruins de negócio. Quem está na linha de frente deve receber autoridade para fazer funcionar da melhor forma possível o seu ministério, resolver problemas e conflitos.

Depois de você oferecer liberdade e autonomia para se fazer melhor, cobre a responsabilidade de cada um. Se o voluntário tiver uma meta, um prazo, uma ideia ou coisa parecida, ajude-o. Dê apoio e cobre mais tarde as ações. Converse com ele para que ele mesmo sugira algumas mudanças e aperfeiçoamento no desempenho do seu ministério.

7. Avalie. Sem avaliação não se vai muito longe. As companhias de voo aprendem com cada desastre aéreo. Elas estudam cada possível causa do desastre com um avião até que descubram os erros cometidos e como sanar essa dificuldade. A avaliação faz parte do progresso do voluntário. Com a avaliação, cada voluntário pode levantar seus pontos fracos e pontos fortes e pode receber novas seções de treinamento.

8. Sirva ao seu voluntário. Bil Hybels, Phil Hodges e Ken Blanchard escreveram um livro chamado Liderando com a Bíblia. Nesse livro, eles descrevem o tipo de líderes que chamaram de “líderes gaivotas”. Esses líderes são aqueles que aparecem só na hora em que o voluntário erra – como o gerente que aparece na hora em que o funcionário erra – aí, chegam, fazem um monte de barulho, gritam na cabeça do voluntário, fazem um outro tanto de sujeira e desaparecem para aparecer de novo quando o voluntário tornar a errar.

Segundo esses autores, o funcionário se sentiria mais à vontade, sem medo de errar, mais seguro e mais motivado, se os gerentes trabalhassem para ajudar o funcionário, para corrigir a ação errada, corrigindo-o para que esse funcionário melhore. Se o funcionário fizer alguma ação errada ou equivocada, a culpa deveria ser, em último lugar, de quem o treinou, pois treinou errado. Em caso de erro, o funcionário deveria ser chamado e retreinado. Isso lhe daria segurança e confiança nas próximas vezes que tiver que fazer a mesma ação que errou anteriormente. Além disso, ele veria seu chefe como parceiro, ajudador, e não como líder gaivota. Eu sugiro que troquemos os termos gerentes por pastores e funcionário por voluntário. O princípio é o mesmo.

Quando Priscila e Áquila ouviram que Apolo pregava bem mas lhe faltava alguma coisa na pregação, trouxeram-no até a sua casa, lhe explicaram melhor acerca de Jesus. E, uma vez que fizeram o conserto em particular, o encorajaram a prosseguir pregando abertamente o evangelho. Apolo se sentiu valorizado e encorajado a fazer o seu trabalho de pregador itinerante abençoando vidas em outras cidades do império romano.

Uma boa forma de o líder servir ao seu voluntário é oferecer-lhe oportunidade de viagem para participar de um congresso, comprar e presentear livros; patrocinar estudos temáticos, como a descoberta dos dons espirituais e ajudar as pessoas a se engajarem em algum ministério que a igreja já tenha ou permitir que ele mesmo comece um ministério de forma experimental.

9. Permita que o voluntário mude. Nem sempre o voluntário sabe exatamente o que deseja fazer, onde pode servir. Ele só quer servir. Depois de algum tempo, para que não desanime, ofereça-lhe a oportunidade – depois de uma conversa (consultoria) – para que mude de ministério ou que mude o procedimento dentro do ministério.

10. Permita que o voluntário erre. Às vezes, os líderes são impiedosos com os que erram. Por isso afirmei que o medo do fracasso inibe o surgimento do voluntário. Mas nós poderíamos ver o erro como oportunidades de crescimento. Aristóteles afirmou que a única maneira de não errar é nunca tentar fazer nada, ficar parado. Errar não é fracassar. O fracassado é aquele que leva no seu caixão sonhos que nunca colocou em prática, com medo de errar. O cemitério é o lugar mais rico do mundo, pois ali estão milhares de sonhos que poderiam inclusive melhorar a vida das pessoas na terra, mas, por medo, aquelas pessoas nunca tentaram. Morreram com os seus sonhos.

A força do voluntariado

JOÃO PEDRO GONÇALVES

Pastor, filósofo, doutor em Sociologia


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

Administração, Missões e Teologia



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Escrito por EDVAR GIMENES DE OLIVEIRA
02-Mar-2009

Percebo um fenômeno curioso no coração de alguns líderes denominacionais: um discurso de amor incondicional por missões. Ocorre, entretanto, que o referido amor veiculado nesses discursos parece-me, em alguns casos, idêntico ao de adolescentes no auge da ebulição hormonal: destituído de reflexão.

Nos amores da adolescência, o que importava era estar ao lado da pessoa amada, trocando beijos e abraços, fazendo juras de amor e sonhando com um futuro “numa ilha de fantasias”. Não era o momento para considerações sobre implicações econômicas do casamento, orçamento familiar, filosofia de educação dos filhos, escala de valores e prioridades, divisão do tempo com outras necessidades individuais e conjugais, enfrentamento de adversidades físicas, emocionais, relacionais, enfim, não havia lugar para o mundo real.

Quando ouço alguém falar que dinheiro de missões é intocável, penso duas coisas: ou a pessoa está jogando pra platéia, usando aquelas frases de efeito que disparam instintivos améns quase unânimes ou demonstra ignorância a respeito da inter-relação existente entre diversos elementos no desenvolvimento da missão da igreja. Não me refiro ao desvio de finalidade de ofertas designadas. Falo da incapacidade de enxergarem que as convenções serão ineficientes e ineficazes em seus propósitos se não valorizarem, inclusive financeiramente, os aspectos da formação teológica e de administração de seus líderes.

Penso ser importante deixar claro que missões, no sentido usado entre nós batistas, faz parte da missão, mas missões, nem é nossa única missão, nem pode existir isolada da administração e da teologia.

Sou um admirador do pr. Fernando Brandão. Louvo a Deus por sua chegada à direção da Junta de Missões Nacionais e, observando elementos que conheço para “ouvir clinicamente” uma pessoa, não percebi até agora evidências de que não se trate de pessoa sincera e honesta. Dos lábios dele tenho ouvido uma expressão, referente à saúde financeira de Missões Nacionais, que, para não ser distorcida, merece reflexão: “Não é coisa de administração nem gestão humana, é de Deus”.

Compreendo seu espírito humilde, “joãobatistiano” do “convém que ele cresça...”, mas é inegável que Deus está usando sua experiência e conhecimentos em gestão financeira, bem como sua ética, amor ao Reino e carisma, no processo de recuperação da saúde de Missões Nacionais. Se assim não fosse, não precisaríamos incluir qualidades de administrador dentre os critérios de seleção de nossos dirigentes. Bastaria descobrir quanto tempo eles passam orando e lendo a Bíblia. Mas todos sabemos que não é assim.

Ao fazer essa consideração, meu objetivo é esclarecer que administração, definida na linguagem religiosa paulina como dom, não é algo menos espiritual ou necessário do que “amor por missões”. Muito menos, reconhecer a participação humana no sucesso da missão, falta de honra a Deus. Afinal, não somos seus cooperadores? Assim, vejo como equívoco comum em nossas igrejas, o discurso de que administração não faz parte da espiritualidade cristã. Não por acaso, o principal motivo de queda de pastores não são desvios éticos ou doutrinários, mas esgotamento administrativo.

A administração é a estrada sobre a qual a missão da igreja viaja e a teologia, seu combustível. Se enfatizarmos missões e nos descuidarmos da administração e da teologia, o cumprimento da missão “desacelera”. Quando, por exemplo, declaramos a ação de Deus em nossos empreendimentos, estamos fazendo uma afirmação teológica, portanto, passível de análise. É a ausência de estímulo à reflexão teológica uma das principais causas do surgimento de líderes nocivos à saúde da igreja e da sociedade e a principal causa dos membros de nossas igrejas serem presas fáceis de seus discursos biblicamente diabólicos, como na tentação de Jesus.

Lamentavelmente, missões parece estar para os batistas assim como o futebol para os brasileiros. O investimento previsto para hospedar a Copa do Mundo de 2014 é 230% maior (ou numa linguagem mais correta, duas vezes mais 30% superior) do que o orçamento anual de educação do país. Se compararmos nossos investimentos em missões com os em educação encontraremos proporção semelhante ou ainda pior.

Da mesma forma, se compararmos o “amor” que manifestamos por missões (não com a missão) com o que manifestamos pela administração das organizações batistas, o resultado será o mesmo. Estamos tão neurótica e medievalmente condicionados a livrar indivíduos de um inferno futuro que não percebemos o “inferno” que muitas igrejas vivem por ineficiência administrativa ou influência de teologias construídas nos e não de joelhos.

Todos ficamos encantados com os momentos devocionais das assembleias da CBB. Duas coisas, porém, me preocupam: a primeira, é que a supervalorização de tais momentos pode indicar a pobreza deles no cotidiano de nossas igrejas. A carência pode ser tal que precisamos encontrar alguma fonte para supri-la. Assim, acreditamos que o que nos falta o ano todo em nossas igrejas deve ser suprido em doses cavalares durante uma assembleia.

A segunda é com a negação da importância das sessões administrativas. Já fui, por oito anos, executivo de instituição denominacional. Sei o quanto se sofre durante os dias das assembleias por termos que ouvir alguns discursos destituídos de fundamentos sólidos a respeito do trabalho que desenvolvemos. Mas não podemos, por isso, desestimular a participação democrática daqueles que representam os interesses das igrejas locais, que são a razão de ser da existência das convenções batistas.

Fui a Brasília com o pensamento focado na defesa de dois temas. Um deles decidi aguardar mais este ano e, a depender de como as coisas caminharem, levantarei na próxima assembleia. Durante toda a assembleia fiz uso do microfone três vezes. Duas em defesa da criação da Câmara de Ação Social (um dos meus temas-foco) que foi aprovada. O outro uso do microfone foi em favor dos direitos de participação nos conselhos da CBB, dos membros das igrejas fiéis ao Plano Cooperativo, oriundos de convenções estaduais cujos administradores retiveram indevidamente o repasse do Plano Cooperativo nacional. Sobre isso escreverei oportunamente.

Pois bem, reconheço que há oradores que alugam os microfones e cujas intervenções nos debates, tanto em quantidade quanto em qualidade, seriam dispensáveis. Devemos cuidar, entretanto, de não usar isso para inibir aqueles que têm somente aquele espaço para fiscalizar as instituições financiadas por suas igrejas e se calam por receio de serem estigmatizados como falastrões. Diga-se de passagem, alguns não falam nas assembleias, mas manifestam suas insatisfações, inclusive retendo o Plano Cooperativo ou não enfatizando ofertas especiais.

Todos sabemos o pensamento que diz que, se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. Portanto, é, também, visando evitar brechas para corrupção, malversação dos recursos financeiros enviados mensalmente às convenções, bem como garantir a finalidade da nossa “filiação” que devemos estimular a participação consciente de cada representante das igrejas nas sessões administrativas das assembleias.

Penso que estamos num momento crucial em relação aos investimentos que as convenções estaduais e nacionais fazem com o dinheiro dos dízimos, devolvidos até com sacrifício às igrejas. Chegou a hora de aprofundarmos a administração da coisa batista, a partir de dados objetivos, transparentes, sem receios ou amarguras, amando não só missões, mas também a educação e a administração, a fim de cumprirmos nossa missão integral, ajudando o ser humano em todas as dimensões de sua vida, a partir da comunhão com Deus.

EDVAR GIMENES DE OLIVEIRA

Pastor da IB da Graça, Salvador (BA)

http://blogdoedvar.blogspot.com

EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com

OS DESAFIOS DO MINISTÉRIO PASTORAL: Lições das partidas de futebol



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Escrito por FRANCISCO HELDER S. CARDOSO
02-Mar-2009

Coitadinho do irmão Kaká. Mesmo com a sua cumulada categoria e excelente desempenho nos gramados, não conseguiu levar novamente o título de melhor jogador do mundo, no ano de 2008. Mas, também, ele não contava com a insubordinação do seu corpo que, “covardemente”, teimou em não corresponder às exigências do futebol profissional. Do 1º lugar do mundo declinou, involuntariamente, para a 4ª colocação.

Mas não adianta ficar triste. Afinal de contas, o que se avalia não são os préstimos brilhantes e os momentos colossais que ele proporcionou às vibrantes torcidas quando a bola acasalava-se, perfeitamente, aos seus pés. E, sim, o momento atual. Dessa forma, não mais o Kaká, mas o português Cristiano Ronaldo tornou-se o alvo número um da poderosa (e não menos ingrata) mídia. Ele, o lusitano, é a bola da vez.

Sei que o ministério pastoral não é uma partida de futebol. Também sei que as igrejas não são (ou pelo menos não deveriam ser) como os torcedores frenéticos e enlouquecidos que lotam arquibancadas. Mas algumas vezes percebo que, curiosamente, vivemos a mesma mediocridade encabeçada por alguns torcedores. Eles têm a intrigante capacidade de, em um mesmo jogo (por exemplo, uma final de campeonato), acolher no coração tão opostos sentimentos: amor e ódio; glória e vergonha; aclamação e repúdio. Basta apenas o árbitro apitar sinalizando o final da partida que logo se verá a velocidade meteórica com a qual eles definem e distinguem mocinhos e bandidos.
Vemos, dessa maneira, os jogos como muito mais do que um ambiente de salutar prática esportiva. Eles são, quase sempre, a arena do egoísmo. A mais fiel retratação do doentio e perverso sentimento da cobrança, da exigência mais atroz e animal, da ingratidão. A mesma torcida que ovaciona jogadores, vociferando em poderoso coro seus nomes, diante de uma fase difícil dos mesmos atletas, ensaiam um novo grito e então explodem: “Burro, burro, burro!”.
Não quero forçar a barra nesta comparação. Também espero não parecer neurótico e nem financiar tal sentimento em seu coração. Confesso, no entanto, que tenho medo de algum dia perder a lucidez, ceder à tentação e desejar, quem sabe, “dançar” (ou melhor, jogar) conforme a música entoada pelas torcidas que lotam as arquibancadas eclesiásticas. Tenho medo, pois ela é uma torcida que deseja que você conduza o time à elite da religião, focalizando muitas vezes esse fim e fomentando-o a alcançá-lo, não importam os meios. Isso é doentio. Deus nos livre desta cancerosa tentação. Vade retrum, Satanás!
Cuidado! Essa não é a essência do futebol. Apreciar um esporte que se apresenta nesses moldes não nos torna mais nobres do que os que se empolgavam na arena do Coliseu, vendo leões destroçarem homens vivos. E aquilo (acredite!) não passava de uma forma de diversão... A essência do futebol é aquela partida gostosa, que se joga com amigos, descontraidamente, e que tem como maiores objetivos fortalecer os laços de amizade, lubrificar a estrutura corpórea e espantar o tédio (Puxa! Olhando por esse prisma, mesmo sem ter habilidade, senti até vontade jogar...)
Pastorear atormentado pela sombra e gritos da tirânica torcida gera males inimagináveis. Ceder às egoístas exigências das igrejas que, às vezes, teimam em nos ver como atletas infalíveis só nos faz sofrer, a longo prazo. Por isso, lá vai uma sugestão com valor de medalha de ouro: Não faça das suas vitórias, das jogadas inacreditáveis e das exuberantes performances pastorais o combustível que impulsiona sua igreja e seu ministério, pois poderá ocorrer (e não será tão difícil) de você não conseguir manter esse padrão e eles, por conseguinte, o encararem como uma simples carta fora do baralho. Dúvidas? Não precisa nem pagar pra ver...
Aproveitando as imagens “futebolísticas”, motivo-o a calçar as chuteiras da humildade, vestir a camisa do santo e puro Evangelho e não apenas jogar, mas lutar desesperadamente para fazer de sua igreja uma comunidade de amor, onde pessoas sejam mais importantes do que coisas e títulos, e onde se prega e vive fielmente a Palavra de Deus.
Fama, bens, status, “prestígio” denominacional, glória humana: nenhum desses troféus tem valor diante do tempo... Pondero nas palavras do pr. Ricardo Gondim, escritor que sabiamente orienta a que vivamos, como pastores, de modo a ser conhecidos em apenas dois lugares: no céu e no inferno. No céu para sermos admirados e no inferno para sermos temidos. Os que conseguirem alcançar esse patamar terão vencido de goleada o jogo contra o inferno e o mal e perceberão a nobreza de talvez terem perdido o mundo, mas, sábia e heroicamente, preservado sua alma (cf. Mt 16.26).
É já que o “papo” é esporte, convido para instruir nosso time de pastores um experiente técnico que já orientou desde jovens soldados a pequenos grupos de “atletas” das distintas Europa e Ásia, e hoje influencia gente do mundo inteiro. Diz ele com categoria: “Nesse jogo, façam tudo o que vocês puderem por causa do Evangelho (...) Vocês sabem que muitos correm no estádio, e todos eles querem o prêmio, mas apenas um o leva. Se esforcem de tal maneira que esses vencedores sejam vocês. Para isso, disciplinem-se rigorosamente; focalizem apenas o troféu celeste e empenhem todo o esforço necessário a fim de alcançá-lo. (...) Joguem da melhor maneira possível; joguem até o final da partida. Mas lembrem-se do mais importante: Jamais abram mão da vossa fé” (paráfrase livre e particular de 1Co 9.23-26 e 2Tm 4.7).

FRANCISCO HELDER S. CARDOSO
Presidente da Juventude Batista do Pará (JUBAPA), Bacharelando em Teologia (FATEBE/STBE)
fheldersc@yahoo.com.br

EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br
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Um recado muito importante!

Amigos e amigas, muito importante!


Peço que divulguem



...amigos, em meio a tanta 'bandalheira' neste mundo virtual, graças a Deus existem também assuntos sérios e de UTILIDADE PÚBLICA que precisam de nossa atenção e respeito.

Este é um deles:

O Instituto do Câncer de Mama está com uma importante campanha.

Cabe a nós atendermos sua solicitação e ampará-lo, pois se depender do Governo (Federal/Estadual/Municipal) será seu fim!!!

Vamos salvar o site do câncer de mama?

Não custa nada.

O Site do câncer de mama está com problemas, pois não tem o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota que lhes permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda. Demora menos de um segundo, ir ao site e clicar na tecla cor-de-rosa que diz 'Campanha da Mamografia Digital Gratuita'.

Não custa nada e é por meio do número diário de pessoas que clicam que os patrocinadores oferecem a mamografia em troca de publicidade.

Repassem a pelo menos 10 amigos para que eles repassem a mais 10 ou mais amigos, ainda hoje!

E assim estaremos ajudando a salvar este site tão importante.

Este gesto fará uma enorme diferença.

http://cancerdemama.com.br




SÓ QUEM JÁ TEVE ESSA DOENÇA OU COM ALGUEM PRÓXIMO DA FAMÍLIA, É QUE SABE DA IMPORTÂNCIA DESSES EXAMES.

PASSE ESTA MSG. A OUTRAS PESSOAS PARA CONHECIMENTO E QUE SAIBAM DIAGNOSTICAR ESSA DOENÇA COM ANTECEDÊNCIA.

OBRIGADA.

terça-feira, 10 de março de 2009

Problemas Técnicos...

Olá pessoal, me desculpem por ultimamente não fazer muitas postagens no Blog, mas é que estou com alguns problemas técnicos em meu doce lar, pois mudei há uma semana e o bendito serviço de Internet da Telefônica só chegará no dia 11/03(Quarta-Feira).Antes disso, é possível que cresça teias no Blog, mas já adianto...VIRÁ NOVIDADES!!!