quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Uma relação privilegiada



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Escrito por MARCOS AMAZONAS
11-Feb-2009

Texto bíblico: João 10.14-15

No ano de 1988, tive o privilégio de participar de uma semana missionária na PIB de São Gonçalo (RJ), na altura pastoreada pelo saudoso pr. Mauro Israel. Eu era seminarista, tinha saído de Manaus para viver no Rio. A igreja da qual era membro em Manaus tinha 60 membros e fui parar numa igreja que tinha 2 mil e naquela semana, mais precisamente naquele domingo, a assistência era de, aproximadamente, 2.500 pessoas. Eu tinha a responsabilidade de interpretar o missionário Peter Fisher da OM. Eu tremia muito, como se diz lá no Amazonas, tremia mais do que vara verde, mas pela graça de Deus o programa decorreu dentro da sua normalidade.

Quando terminou o culto, fomos para a porta a fim de cumprimentarmos as pessoas. Fiquei entre o pr. Mauro e o Peter. As pessoas começaram a sair após o poslúdio e eu com vontade de sair correndo, pois nunca tinha visto tanta gente na minha frente. Estávamos ali a receber os cumprimentos e cada pessoa que saía eu ouvia o pr. Mauro cumprimentá-la pelo seu próprio nome e ainda perguntava por membros da família. Aquele homem me cativou. Disse para mim mesmo: tenho que ter esta capacidade. Quero ser um pastor como ele. O fato é que não sou como ele. Tenho dificuldade em guardar nomes e isto é muito complicado. Pastores precisam conhecer suas ovelhas. Devem conhecê-las pelo seu próprio nome.

O Senhor Jesus, o Bom Pastor, diz que conhece as suas ovelhas e nós, pastores, que temos o Mestre como nosso modelo, precisamos conhecer as nossas ovelhas. Entretanto, vejam que o texto continua e diz que as ovelhas também conhecem o seu pastor.

Nesses 12 anos aqui em Portugal, nunca fomos como família ao Brasil e todas as vezes que temos de ir os motivos não são nada agradáveis. A única vez que fomos sem ser por motivo de doença foi quando Débora nasceu e Lílian foi com ela e Matheus apresentá-la à família. Outra vez fui sozinho para pregar no aniversário da minha igreja do coração. Em maio passado estive em Manaus. Meu pai tinha sofrido mais um AVC. Seu quadro era muito grave e lá fui eu ver meu velho. Fui para despedir-me do meu amigo, colega, irmão, pastor e pai. Fui para estar com aquele que foi o meu herói e que me influenciou ao ponto de querer fazer um curso de mecânica só porque ele tinha uma oficina. Estive todos os dias no hospital. Falei com o meu velho e mesmo sem ele falar comigo sei que privamos de momentos especiais. O fato é que encontrei um pastor amigo, que me contou uma história interessante. Uma noite, fomos comer quibe. No restaurante ficamos a falar e lá pelas tantas ele disse que foi pastor de uma igreja por minha causa. Achei graça. Rimos um pouco e ele então me contou a história.

Ele foi convidado para pregar naquela igreja e depois a igreja procurou-o para saber se ele aceitava ser o seu pastor. E disseram que desde a primeira vez que ele tinha ido lá, eles tinham vontade de que ele fosse o seu pastor. Ele achou estranho, mas não disse nada. Enquanto conversávamos, ele perguntou se eu tinha ido àquela igreja e eu disse que sim. Ele riu e disse-me que tinha certeza disso. Depois me falou que a igreja o convidou para pastorear pensando que estava me convidando. Rimos muito com essa história. É verdade que temos alguma semelhança, mas há uma diferença enorme entre o nome Marcos e Francimar. A igreja não me conhecia e também não o conhecia. Jesus diz que as ovelhas conhecem o seu pastor.

Nesse texto, Jesus está falando do falso ensino. Falando contra líderes que só desejam tirar proveito do povo. Ele os chama de mercenários. Pessoas que não estão interessadas em cuidar do rebanho. Elas querem apenas tirar proveito do rebanho. Entretanto, o Senhor diz que é o Bom Pastor e como tal conhece suas ovelhas e elas o conhecem, também. Há entre eles uma relação harmoniosa. Eles vivem uma relação privilegiada.

É sobre isto que desejo refletir. Quero olhar para este texto e ver o que ele nos ensina sobre a relação entre o pastor e o seu rebanho e vice-versa.

Vejamos então o que podemos aprender com esta declaração do Senhor

1- A relação entre pastor e ovelha será privilegiada quando eles se conhecerem. Iniciei contando duas histórias. Uma que enfatiza um pastor que conhecia os membros da igreja que pastoreava. Outra que falava de uma igreja que não conhecia aquele que desejava que fosse o seu pastor e, por isso, chegou ao ponto de convidar outro pensando que era a mesma pessoa.

A questão que se apresenta é a seguinte: Como é que a igreja pode conhecer o pastor e como o pastor pode conhecer o rebanho que o Senhor lhe concedeu?

Creio que existem algumas respostas. Quero apenas desafiá-los e fazê-los refletir sobre o desafio de conhecer e ser conhecido. Vejamos as respostas:

a) É preciso correr o risco de abrir a sua vida. Para que haja conhecimento é preciso se expor. Expor-se é correr o risco de ser ferido. É correr o risco de ficar decepcionado.

b) É preciso desenvolver intimidade. Intimidade não se adquire nos domingos. É fruto de uma caminhada conjunta. Ela surge dos momentos partilhados. Das refeições conjuntas, dos silêncios partilhados e das tristezas divididas. É verdade, pastor também fica triste, sofre e sofre muito. Ele é um ser humano como outro qualquer. É essencial que haja intimidade para que o pastor conheça a igreja e a igreja o conheça.

c) É preciso valorizar o outro. Pastores devem valorizar as ovelhas. Precisam amá-las profundamente, mas as ovelhas precisam amar o seu pastor. Não é abraçá-lo no domingo e passar a semana inteira sem lhe fazer uma chamada telefônica. Não é dizer que ele é uma bênção no dia de culto, mas em casa falar mal dele. É preciso valorizar e exaltar o outro.

Creio sinceramente que estes três aspectos ajudam e muito no conhecimento mútuo. Eles promovem o crescimento relacional.


2- A relação entre pastor e ovelha será privilegiada quando refletir a relação que existe entre Pai e Filho. Que desafio! Jesus diz que esse conhecimento mútuo que existe entre o pastor e suas ovelhas é como o que existe entre o Pai e Ele próprio. Que responsabilidade!

Será que já paramos para pensar neste aspecto?

A relação entre pastor e igreja deve mostrar a harmonia que existe em Deus. Por isso, é tão importante o fato de nos conhecermos mutuamente. Conhecermo-nos intimamente.

O profeta Oséias diz o seguinte: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Os 6.3). É importante dizer que estas palavras soam no vazio. O povo está longe do Senhor. Como afirma Crabtree: “Estas palavras são nobres, mas foram proferidas muito tarde, quando Israel não tinha mais a força moral de livrar-se do seu conceito pagão do caráter de Deus, e pôr em prática a sua resolução. Há sempre pessoas que sabem citar grandes doutrinas teológicas sem o entendimento da sua significação, ou sem vontade de viver de acordo com a sua confissão” (A.R. Crabtree, em O livro de Oséias). Um povo que não conhecia o Senhor. Estava longe do seu pastor.

Lembrem-se: a relação existente entre nós deve espelhar a relação harmoniosa que há em Deus. É algo profundo e íntimo.

Não esqueçamos que o termo “conhecer” é o mesmo utilizado para relação sexual (Gn 4.1; 17; 16.4; 30.4; Rt 4.13; 1Sm 1.19). A ideia é de casamento, intimidade profunda. “Afinal, Deus está preocupado com um casamento. Por isso a perseverança, à qual a primeira linha do versículo convida, é mais adequada ao lado divino, fazendo uso das belas metáforas do sol, que é certo, e das chuvas que trazem transformação” (Derek Kidner, em A mensagem de Oséias).

Conhecer o Senhor é ter intimidade com Ele. É estar envolvido numa relação profunda, que exige fidelidade. Pastor e igreja, conheçam e prossigam em conhecer o Senhor. Mostraremos ao mundo que conhecemos o Senhor pela maneira como nos tratamos. Mostraremos à sociedade que conhecemos o Senhor e temos intimidade com ele, a partir do nosso relacionamento. O mundo saberá que temos intimidade com o Senhor, quando olhar para nós e ver a nossa intimidade e o amor que existe entre nós.

Que desafio nos é proposto. Conhecermo-nos profunda e intimamente como o próprio Deus. Sem mistérios, sem máscaras, sem medos. Se vivermos esta realidade, seremos um testemunho para o mundo.

CONCLUSÃO

A relação entre pastor e igreja é uma relação privilegiada. É uma relação que promove crescimento e se desenvolve através da mutualidade.

As ovelhas esperam ser aparadas e cuidadas. Elas querem ser protegidas e alimentadas pelo pastor. Ele precisa conhecê-las para suprir suas carências e saber quando elas estão alegres, tristes, doentes. É preciso ter intimidade para cuidar do rebanho.

O pastor espera que as ovelhas cresçam e procriem. Elas precisam aumentar o rebanho. Ele espera obter seu sustento através do seu rebanho. Ele dedica-se às suas ovelhas, mas espera que elas tragam felicidade e segurança para ele.

A relação entre pastor e igreja precisa ser profunda e íntima para que o mundo veja o agir de Deus no meio da igreja e assim creia que o Pai enviou Jesus. Que haja essa relação em nosso meio.

Que Deus nos abençoe!

MARCOS AMAZONAS

Pastor, colaborador de OJB


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

Doação de sangue e órgãos: você pode salvar vidas!



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Escrito por NADJANE BARBOSA MIRANDA
11-Feb-2009

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Quando vemos notícias na televisão e nos jornais sobre pessoas que precisam de transplantes de órgãos ou com doenças graves que necessitam de transfusão de sangue, temos a sensação de uma realidade bem distante e nunca pensamos que pode acontecer conosco ou com um familiar próximo.

Infelizmente, ninguém está imune a uma situação dessas e em algum momento de nossas vidas teremos que lidar com a decisão de ser doador ou encontrar doador para alguém querido ou para nós mesmos. Talvez essa seja uma aplicação bem concreta do “amar ao próximo como a si mesmo”.

Em caso de acidentes ou doenças graves, nosso corpo pode não produzir células do sangue em quantidade suficiente às necessidades e a vida fica em risco, sendo necessárias transfusões de sangue ou de algum de seus componentes.

Ainda não somos capazes de produzir o sangue em laboratórios ou produzir substâncias que possam substituí-lo e dependemos de pessoas que decidem sair de sua rotina e doar sangue. A doação deve ser altruísta, voluntária, não remunerada e anônima. Não há risco para o doador, o material de coleta é totalmente estéril e descartável e as equipes dos bancos de sangue estão preparadas para atender e orientar os candidatos.

O doador deve ter entre 18 e 65 anos, ter mais de 50kg, estar com boa saúde e comparecer ao banco de sangue com documento de identificação com foto (identidade, carteira de motorista, carteira de trabalho ou similar).


ÓRGÃOS – Existem doenças nas quais um ou mais órgãos deixam de funcionar e a única chance de continuar vivo é recebendo um novo órgão sadio. Isso acontece em casos de insuficiência renal, cardíaca, pulmonar ou hepática e nos casos de cegueira por lesão de córnea.

O Brasil se destaca por possuir um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo, o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), criado em 1997, com 548 estabelecimentos de saúde e 1.354 equipes autorizadas a realizar transplantes.

As filas de pessoas aguardando um transplante só aumentam a cada dia e o tempo corre contra essas pessoas. Muitas delas morrem antes de conseguir um doador compatível.

O passo principal para se tornar um candidato a doador de órgãos é deixar claro tal desejo junto à sua família. Não é necessário deixar nada por escrito. A doação só acontecerá em caso de morte encefálica.

Na prática, significa que a pessoa já morreu e em pouco tempo os outros órgãos deixarão de funcionar, mesmo com todos os cuidados médicos. O diagnóstico tem que ser feito por, no mínimo, duas equipes diferentes da que cuida do paciente/doador e é preenchido um protocolo com os resultados dos testes assegurando a morte encefálica.

Nós, cristãos, fazemos parte do melhor grupo de doadores: pessoas que praticam o sexo dentro do padrão de Deus, não abusam de álcool e medicamentos, não usam drogas ilícitas e cuidam do seu corpo como templo do Espírito Santo.

Ressuscitaremos com um novo corpo glorioso e incorruptível e esse corpo terreno continuará ajudando outras pessoas, mesmo após nossa morte. Doe vida!

NADJANE BARBOSA MIRANDA

Médica hematologista, membro da IB Nova Alvorada, Feira de Santana (BA)


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

Cuidado com o “ensino pirata”!



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Escrito por ANTONIO MENDES
11-Feb-2009

Para se fazer um produto de qualidade, é necessário percorrer um longo, árduo e trabalhoso caminho, além de pagar um alto preço, pois fazem parte dos custos: impostos, mão-de-obra, pesquisa, uma boa matéria-prima, entre outros. Tudo isso para se construir uma marca vitoriosa.

Porém, existem pessoas inescrupulosas que apenas copiam aquele produto que consumiu tanto tempo e trabalho para ser desenvolvido. “Usam” a marca alheia, para produzir e vender bem mais baratos os “produtos piratas”, cópias do original, mas sem qualidade alguma.

Palavras como garantia, nota fiscal, legalidade, durabilidade, entre outras, são proibidas no meio “pirata”.

À luz dessa introdução, gostaria que refletíssemos sobre artigos, mensagens e estudos que ouvimos e lemos. Tenho, sim, preocupação com tudo o que leio e ouço, principalmente porque há uma clara similaridade com a pirataria. A tendência parece ser a de não tocar em pontos vitais do caráter de um líder, e “esconder” particularidades doutrinárias que caracterizam uma igreja centralizada na Palavra.

Parece que cada um quer estar bem com todos, vendendo e comprando o produto pirata, sem se preocupar com as consequências de tudo isso.

Por exemplo: Fala-se muito sobre as qualidades do líder, sua habilidade de negociação, sua oratória, seus empreendimentos e sua visão. Mas, dificilmente se houve falar sobre o líder como marido de uma só mulher, pai que tenha seus filhos em sujeição, chefe responsável do lar (1Timóteo 3). Líder modelo a ser seguido pelos seus fiéis (1Tessalonicenses 1.7).

Se apenas são oferecidos à igreja produtos piratas, ela perde a percepção da verdadeira qualidade, deixa de perceber as particularidades doutrinárias como viam os crentes de Beréia (Atos 17.11).

Em termos de doutrina e seriedade da liderança bíblica, vale a pena pagar mais caro e viver longe do ensino “pirata”.

ANTONIO MENDES

Pastor da PIB de Atibaia (SP)


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Informativo Acampamento 2009!



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Os benefícios do perdão



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Escrito por VILMAR PAULICHEN
04-Feb-2009

Nossa qualidade de vida depende diretamente da maneira como usamos o perdão. As pessoas mais felizes desse mundo entendem que o perdão é o melhor “remédio” para restaurar a paz e curar mágoas novas e antigas. Já as pessoas infelizes se recusam a perdoar, se omitem, se fecham e culpam os outros por seus fracassos.

A falta de perdão se parece a brotos que deveriam ser podados, enquanto a árvore ainda estava crescendo, porque depois de adulta, o tempo e os brotos deixaram-na toda torta. Assim como essa árvore torta terá muita dificuldade para ficar de pé quando se levantar algum vendaval, quem não perdoa, também cairá diante dos vendavais de problemas e conflitos, porque os brotos do orgulho, ódio, ambição, egoísmo, nunca foram podados para fortalecer os ramos da retidão, humildade, paciência, amor e perdão. Assim como a árvore cresce reta quando alguém poda seus brotos, também nós vencemos conflitos quando deixamos que a tesoura do perdão corte os brotos do pecado que nascem no coração.

As pessoas mais infelizes desse mundo se dedicam à oração diária e pedem que Deus perdoe seus pecados. Depois da oração sentem-se felizes consigo mesmas pela oração que fizeram. O problema é que no íntimo do coração são pessoas frustradas, tristes, amargas e infelizes, pois decididamente se recusam a perdoar completamente a ofensa do cônjuge, amigo, vizinho, familiar (Mc 11.25). A diferença entre o verdadeiro e o falso cristão é que este engana a si mesmo quando ora pedindo perdão, visto que não faz o mesmo que espera da parte de Deus. Deus perdoa quem perdoa.

A parábola do credor sem compaixão (Mt 18.23-35) ensina que nosso pecado se compara com uma dívida impagável (v. 24). As escolhas erradas (Mt 6.14,15) fazem aumentar a dívida e consciência de culpa, mesmo que nossas boas obras sejam impressionantes aos olhos humanos (Mt 23.23). Se a matemática da sua fé for obras + perdão, o resultado será = galardão; mas se a matemática for obras + obras + obras – perdão, o resultado será = morte. Mortos também oram, mas o resultado final não vai além da mesma sensação de orgulho e superioridade que o fariseu sentiu quando orou (Lc 18.11).

A dívida de pecado não nos tira a capacidade de conquista. Nosso problema não é a incapacidade para conquistar coisas de valor, mas a incompetência para manter o que conquistamos (v. 25). Por causa do pecado, todos nascemos endividados e separados de Deus (Rm 3.23), e quem fica adulto sem receber o perdão da dívida (Ef 2.8, 9), não se firma no casamento, gasta mais que ganha, não usa os dons espirituais, perde relacionamentos significativos, não concretiza planos de médio e longo prazo, não se firma na igreja, não agradece se têm comida, água e roupa (1Tm 6.8).

A parábola nos ajuda a conhecer Deus. O servo endividado pediu paciência ao rei para pagar a dívida de 60 milhões de denários. Não foi um pedido racional, pois o dia de trabalho valia um denário. Mesmo assim, o rei aceitou o pedido e movido de muita compaixão, bondade e amor, perdoou toda a dívida que seria paga em 165 mil anos, se o rei não cobrasse juros. A oração de quem foi perdoado é diferente porque tem pouca lógica e racionalidade, mas é transbordante de fé naquele que tem poder para fazer muito mais do que pedimos (2Co 9.8).

A parábola também revela quanto individualismo e pecado há no coração humano, que invoca a paciência de Deus (2Pe 3.9) para continuar vivendo, recebe muito mais do que pediu e se recusa a agir da mesma maneira com os outros (v. 28). Todos reconhecem a paciência de Deus, muitos pedem paciência a Deus, poucos usam a compaixão de Deus para resolver intrigas de valor insignificante (v. 28). Por graça, Cristo ofereceu-se como sacrifício para pagar nossa dívida impagável (Ef 4.31, 32; 5.1, 2). Quem crê nessa verdade é livre (Jo 8.32) para oferecer o mesmo tipo de perdão que Deus oferece.

VILMAR PAULICHEN

Pastor da IB em Porto União (SC)


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br

Dos pardais à filosofia, passando pelo carro da Chrysler



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Escrito por ISALTINO GOMES COELHO FILHO
05-Feb-2009

Meus leitores (usando a expressão de uma pessoa dominadora: “minha família e mais uns quinze”) estranharão este título. Depois que o digitei achei que entrara num assunto difuso. Mas voltemos aos pardais. Terminei o último artiguete sobre os pardais com esta expressão: “Muito espaço para os pardais, ao invés de coisas mais sérias? Aprendi com o Salvador.

Suas grandes e profundas verdades não foram expressas em conceitos complicados, com termos pomposos. Ele falava de pardais, lírios, semeador, aves do céu, nuvens, fermento, o cotidiano, enfim. Sempre lhe peço que me ensine todos os dias. Ele usou os pardais. Sou lhe grato por isto”.

A simplicidade de Jesus é desconcertante. Nós é que usamos palavras complicadas para mascarar o que não queremos ou não sabemos explicar. Outro dia eu lia um livro de filosofia, de um ex-ateu, agora teísta, Anthony Flew. Alguns parágrafos me desnorteavam. Eu os lia três, quatro vezes, e não conseguia entender o que estava sendo dito. Talvez limitação cultural minha, mas ele podia ser mais claro. Lembrei-me do menino Calvin, na sabedoria dos seus seis anos, dizendo para seu tigre de pelúcia, Haroldo, o título de sua redação: “A dinâmica do inter-ser e imperativos monológicos em Dick e Jane: um estudo em modos psíquicos transrelacionais de gênero”. Sua explicação foi genial: “Eu percebi que a finalidade de escrever é inflar idéias fracas, obscurecer raciocínio pobre e inibir a clareza. Com um pouco de prática, a redação pode ser uma névoa intimadora e impenetrável”. O título da redação de Calvin se parece com algumas dissertações de mestrado e teses de doutorado: “Uma avaliação biopsíquica-físico-translúcida-patológica-emocional da ontologia hegeliana por uma perspectiva sãopaulina-hexacampeã em diálogo com a visão kierkegardiana do rebaixamento luso (Vasco-Portuguesa de Desportos) em contraposição ao louvor estrambótico do hipermega neolevitismo do movimento evangélico”. Ninguém entende nada, não tem valor algum, mas impressiona e intimida. Quem não entendeu não tem erudição. E quem formulou e desenvolveu o assunto é um gênio. Quem o aprovou não entendeu nada, até mesmo porque não tem sentido, mas fez ar de entendido e elogiou. Caso típico de vaca lambendo bezerro... Ou, em latim, asinus asinum fricat (“um asno esfrega outro asno”, ditado que se emprega para mútuos e excessivos elogios de duas pessoas).

O vocabulário confuso ajuda a não dizer nada de maneira que impressiona. Digo isto em relação à simplicidade de Jesus, que muitos pregadores e mestres abandonaram em troca do palavrório empolado que nada diz (“processo soteriológico” ao invés de “salvação”, por exemplo). As palavras complicadas servem para mascarar o nada. Gertrud Stein chama a isto de “nadez”, o nada bem apresentado. Em “Alice no país do espelho”, Carrol apresenta um poema chamado “O Tagarelão”. Sua primeira estrofe diz:

Era o Assador e os Sacalaxurgos

Elasticojentos no eirado giravam;

Miserágeis perfuram os Esfregachugos

E os verdes Porcalhos ircasa assobiavam.


Carrol usou uma técnica chamada de nefelibatismo, para a qual vale mais o som das palavras que o seu significado. Suas duas obras mais conhecidas, “Alice no país das maravilhas” e “Alice no país do espelho” satirizavam as discussões teológicas. Muitas delas eram de estilo e conteúdo nefelibata.

Como estou indo para o fim preciso falar do carro da Chrysler. Ela lançou um carro feio, mas muito feio mesmo. Quando eu era criança (no Rio) e minha mãe nos levava, aos domingos, à casa da tia Tininha, no Rio da Prata, tomávamos o trem em Cascadura, saltávamos na estação de Bangu, e tomávamos um lotação (automóvel) até o Rio da Prata. Havia um feio de doer, que era este mesmo que a Chrysler relançou agora. Nós o evitávamos, tão feio ele era. Meus primos, Isaltino e Nestor, zombavam daquele carro, e eu e Irinéa, minha irmã, tínhamos vergonha de andar nele. Pois é, o feio foi lançado agora sob uma propaganda curiosa: design retrô. A expressão semântica híbrida quer dizer que é um desenho antigo. Na realidade, um modelo velho e ultrapassado. Mas jogando com palavras, os publicitários vendem-no como luxo. Cada vez que vejo o carro, digo: “Ô carro feio!”, ao que minha acompanhante habitual diz: “É feio mesmo”. É nosso jogo. Um dia desses, eu estava num engarrafamento, na velha e querida Sampa, e vi um. Como estava parado, peguei o celular, disquei para casa, e quando ela atendeu, eu disse: “Ô carro feio!”. Sabedora do que era (os que amam se comunicam por telepatia), ela respondeu: “É feio mesmo”.

Andei por pardais, Flew, Calvin e Haroldo, Lewis Carrol e Gertrud Stein. Lembrei de Bangu e Rio da Prata, de uma infância que não volta mais. E cheguei aonde queria: palavras complicadas e palavrório empolado nada significam. O púlpito precisa redescobrir a simplicidade do evangelho, em frases tão antigas, mas tão ricas: “Jesus salva o pecador”, “Quem crê tem a vida eterna”, “Jesus perdoa”, etc. Os corinhos (na nova semântica, “louvor”) também, mesmo sendo poesia e a poesia é conotativa e não denotativa, precisam ser compreensíveis. A teologia deve expressar de maneira clara o que cremos, e não confundir. Os cânticos devem expressar nossos sentimentos de maneira compreensível e não de uma maneira mística, um tipo de alucinógeno verbal, que só os consumidores sabem o que é.

Chacrinha dizia que viera para confundir e não para explicar. Os mestres cristãos, sejam pregadores sejam compositores sejam escritores, vieram para explicar. Erudição não é falar complicado, obscurecendo o simples. Erudição mesmo era a de Jesus: dizendo as verdades mais profundas de uma maneira que uma criança entenderia. O evangelho é muito simples. Não o falsifiquemos, não o vistamos com uma capa verborrágica nem coloquemos confusão no que Deus esclareceu. Não transformemos o evangelho em academia e não tenhamos vergonha da simplicidade. Aliás, preguemos a simplicidade do evangelho: Cristo salva o pecador. Esta é nossa missão.

ISALTINO GOMES COELHO FILHO

Pastor, colaborador de OJB

isaltinogomes@hotmail.com


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com,br

O compromisso com Cristo

O compromisso com Cristo

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Escrito por OSWALDO LUIZ GOMES JACOB
04-Feb-2009

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” – Mateus 16.24

Este texto do Mestre é muito lúcido. Não há como seguir e servir a Jesus a não ser pela via da cruz. Esta é compromisso, obediência e serviço. Alguém disse com muita propriedade que “aceitar a Cristo não lhe custará muita coisa; seguir a Cristo lhe custará alguma coisa, mas servir a Jesus lhe custará TUDO”.

A vida cristã é um compromisso com o Senhor Jesus às raias da morte. É o discipulado diário. A caminhada pela fé. O descanso na graça que fortalece. É o testemunho fiel e ousado. Como diz o escritor aos hebreus: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (Hb 12.1, 2). A proposta de Jesus para o moço rico era que ele vendesse tudo o que tinha para dar aos pobres e O seguisse. A promessa era o tesouro do céu. Mas o jovem deu as costas para Jesus. Tem muita gente dando as costas para Jesus dentro de nossas igrejas. O Senhor quer o nosso tudo. O compromisso é radical. É uma questão de ruptura.

Dietrich Bonhoeffer – pastor germânico que viveu no tempo do nazismo – perdeu a vida em virtude do seu compromisso com Cristo contra Hitler. O médico H. Fischer-Hüllstrung que presenciou a morte de Dietrich disse: “Naquela madrugada, por uma porta entreaberta, vi o pastor Bonhoeffer ajoelhado diante do seu Deus. A maneira submissa e confiante da oração desse homem extraordinariamente simpático abalou-me profundamente. Antes da execução ele fez ainda uma breve oração. Depois subiu para a forca com coragem e serenidade. A morte ocorreu em poucos segundos. Nos quase 50 anos de exercício da medicina, jamais vi um homem morrer em tal submissão a Deus” (Orando com os Salmos, de Dietrich Bonhoeffer). Este é um testemunho de um cristão autêntico que morreu de coerência.

Não percamos de vista o nosso compromisso com Jesus! Como precisamos ser usados de forma ousada. Não tenhamos medo de expressar a nossa fé em Cristo à semelhança dos apóstolos Pedro e João ao testemunharem diante dos religiosos judeus: “Nós não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.23, 24). Deixarmos de ser sal da terra e luz do mundo é, no mínimo, negarmos a nossa fé em Cristo Jesus. Para uma vida cristã autêntica, precisamos negar-nos a nós mesmos, tomarmos a cruz e segui-lo. O remédio para o egoísmo é viver Cristo com base na sua obra suficiente na cruz e na sua ressurreição. Seguir a Cristo é o projeto mais fascinante de vida. Sigamos e sirvamos a Cristo com contentamento. Vivamos nele, por Ele e para Ele. Glória ao Cordeiro que nos chamou para si mesmo por causa do grande amor de Deus, o Pai.

OSWALDO LUIZ GOMES JACOB

Pastor, colaborador de OJB


EXTRAÍDO DE: www.ojornalbatista.com.br